terça-feira, setembro 26, 2006

Dedicatória

Tornai-me a aparecer, entes imaginários,que me enchíeis outrora os olhos visionários!Poder-vos-ei fixar?... Tenho inda coração capaz de se render à vossa sedução?...
Chegam... que densa turba! Envolve-me... Não posso furtar-me ao seu triunfo. Eis-me, Visões, sou vosso.
Vai-se-me em névoa o mundo. Emanações subtis que exalais, vem tornar-me aos anos juvenis.Que imagens que trazeis de dias tão risonhos!...Caras sombras! sois vós? aéreas como em sonhos?
Como recordação de lenda já perdida,volve o amor, a amizade, e reassumem vida;torna a dor a doer. Oh vida! oh labirinto!de novo o mesmo sois. Já renascer me sinto.
Cá 'stão os bons d'outrora, entes que já gozaram horas de oiro, e também... como elas se escoaram.Não me hão-de ouvir agora os mesmos, bem o sei,para quem noutro tempo os versos meus cantei.Sumiu-se, aniquilou-se aquela amiga turba,que nem com som mortiço os ecos já perturba.Vibra meu canto agora a ignota multidão,cujo aplauso, ai de mim! me aperta o coração;e os a quem meu cantar outrora foi jucundo,erram, se inda alguns há, dispersos pelo mundo.
Ai, plácida mansão, de espíritos morada!revive na saudade, há tanto descorada!
Começa em vagos sons meu estro a palpitar,qual de uma harpa eólia o triste delirar...Já sinto estremeções; o pranto segue ao pranto,e o duro coração se abranda por encanto.
O que foi, torna a ser. O que é, perde existência.O palpável é nada. O nada assume essência.

Goethe



Passamos nossas vidas impondo e buscando nossas convicções,
com o intento de um dia podermos alcançar nossas metas de vida,
em meio a tudo isso nos confrontamos com as vertentes do equilíbrio humano.
Onde não sabemos mais o que pensamos ou almejamos,
Onde o querer é não querer e o não querer torna-se paradoxalmente querer.
Assim procuramos alcançar a cada dia de nossos breves longos dias respostas tais que inconscientemente nos conformamos com a possibilidade de não desvendá-las, mas guardamos conosco no intuito de manter acesa esta chama que nos faz sentirmos vivos,
está busca infindável de tentar compreender um pouco mais das nossas razões desconhecidas.
Encontramos nas entrelinhas de nossas historias individuais, pessoas sejam elas ligadas por laços de sangue ou ligadas pelo entrelaçar do por vir, mas que de uma forma ou de outra acabam fazendo parte de nossas existências. Assim a cada página que passamos não deixamos para trás e sim levamos a cada página uma maior responsabilidade, pois daí em diante as nossas historias deixam de ser individuais para ser uma imensa extensão dos que amamos...assim cada beijo...cada sorriso...um ombro amigo e lágrimas derramadas constroem em cada uma grande obra que pelo sim ou pelo não, observados pela coerência ou incoerência, chamamos de vida.


Roberto Dantas

sexta-feira, setembro 15, 2006

Dúvidas em meio a devaneios
Mesmo tendo ou acreditando ter certezas de minhas incertezas, o acaso existe, e este não se cansa de nos contradizer. Este que em meio a um emaranhado de devaneios nos faz perceber que nem sempre somos... na maioria das vezes estamos.
Fico a me questionar por que adentrar a barreira do abstrato, tende a ser vilipendioso, como nos jogamos no obscuro?... aonde encontramos razões e argumentos convincentes para intentarmos e na maioria das vezes até transpassar o estável?
De forma sucinta me respondo: " De que vale a vida, sem a coragem para tais atitudes...? Até mesmo sem esta dúvida...? Sem este medo de poder errar...?Este medo que nos faz sentirmos vivos.
Roberto Dantas