quinta-feira, agosto 21, 2008
Através de bases insólitas da lucidez,
num emaranhado de filosofias vãs,
encontro refúgio em bases empíricas
das quais a veracidade é um prisma.
O abrigo já não traz segurança,
a loucura e a lucidez se confundem
numa linha tênue do pensar,
este que por sua vez, já não é absoluto,
busca maneira à flexibilidade.
O tempo e espaço físico são confusos
quando mensurados a infinidade e existencialidade.
Preceitos definidos na razão,
perdem noção no lúdico.
Saber ou não saber...
relativos em propriedade e causa,
ínfimo ou inestimado,
desprezado, todavia não-ignorável.
Roberto Dantas
quarta-feira, julho 16, 2008
A singeleza com que me deparava, não revelava o quanto estava perto de renascer para uma nova verdade. Onde já não trilha com a antiga certeza da absoluta verdade, pois com ela foi possível ver que estava absolutamente cego em meio as próprias verdades. A relatividade dos fatos desnorteia os sentimentos em meio a devaneios vãos.
Sendo assim, como quem recolhe tudo que lhe é atribuído como seu, agrupa tais atributos e analisa a si mesmo. Num processo de recriação reestrutura seu pensamento, sua alma nos fundamentos da liberdade, concebível aos conhecimentos que lhe forem dispostos e dentre eles elaborar o aprimoramento de sua própria construção.
Roberto Dantas
terça-feira, junho 03, 2008
Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor nos domine?
Minha resposta? o amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha. como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
Paulinho Moska
segunda-feira, março 10, 2008
O querer precedido pelo não ter, envolto pelo desejo no presente e o anseio do porvir.
Esperar a volta de quem ainda nem se quer veio ou a esperança de vida do que já não mais é.
Olhar para o céu e se enamorar pela face da lua por recordar do seu rosto, é admirar o brilho das estrelas pois nelas vislumbra o brilho expressado em seu sorriso.
Deitar-se e ter em mente os carinhos de outrora,
Suspirar e ao recobrar o ar sentir o seu aroma mesmo sabendo que estás tão distante.
Buscar tolamente em outros corpos o calor que só pode encontrar nos braço que já não se tem.
Perder a noção de quantas vezes por dia algo ou alguém faz recordar a quem se quer bem,
Andar feito louco na rua, buscando nos pingos d'água e no aroma que a chuva traz da terra, a esperança de reviver um breve momento eternizado no pensar.
Passar noites a fio vislumbrando as noites que lhe velava o sono e ali podia compartilhar também dos seus medos que somente são exprimidos no dormir.
Saudade é desejar ao menos por um instante ter a doçura do teu olhar.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
O pessimista, queixa-se dos ventos.
O otimista espera que mudem.
O realista, ajusta as velas.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Cartola
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés.