sexta-feira, dezembro 29, 2006

Álibi

Havia mais que um desejo
a força do beijo
por mais que vadia
não sacia mais
meus olhos lacrimejam seu corpo
exposto à mentira do calor da ira
do afã de um desejo que não contraíra
no amor, a tortura está por um triz
mas a gente atura e até se mostra feliz
quando se tem o álibi
de ter nascido ávido
e convivido inválido
mesmo sem ter havido.

...

No amor adentramos por caminhos imcompreensíveis, ignorando a razão trilhamos locais recônditos da alma, esta que por mais que traga consigo feridas que nem uma vida seria suficiente para esquecer, persiste em buscar em tais caminhos seu complemento. Pois mesmo com tantas conquistas, se perde nos quereres, no desejo que carrega desde que perceberá que lhe falta um pedaço.

Roberto Dantas

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Vinicius de Moraes
A Carta Que Não Foi Mandada


Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
É, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei, nem lembro mais

terça-feira, dezembro 05, 2006

...

Nos perdemos em meio aos experimentos...
confundimos a razão com o querer,
e em meio a tudo isto encontramos a paixão,
interrupta, volátil, fugaz...além do fato
de aos enamorados tornar cativos.

Sinto me atordoado com as razões,
que me fazem perder a razão...
mesmo ao peito cansado de crer
na esperança de um dia ser
Segue assim seu rumo
alado na esperança.

Roberto Dantas

sábado, novembro 04, 2006

Dias que apenas passam

Ah devaneios... Porque ressurgem em meio as sombras...
e resgatam sentimentos que há muito se perderam pela banalidade...
pela indiferença dos que os receberam como oferta...
porque ressurges assim e me guia a mesma sina...???
Seria eu objeto do seu escárnio? Por que tem de ser assim?

Queria eu poder compreender toda infinidade das respostas
que em minha mente circundam e atormentam a alma...
alma está que hoje já não chora...por não ver êxito no chorar...
está que já não espera por acredita que ninguém irá chegar...
que hoje vive desacreditado da beleza do viver...

Beijos sem amanhã, abraços sem alento...
O que fizeram com o amar?
Dias sem sentido ?
Vida sem desígnios?
Apenas passam pela vida.

Assim os que buscam a beleza da vida...
Passam inerentes a estes fatos,
Sendo vistos como não participantes,
Destes dias que apenas passam.


Roberto Dantas

segunda-feira, outubro 30, 2006

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando,
pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor, que está muito a minha frente,
e diria que eu amo... Dessa forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo de que gosta devido à
falta de tempo. Não deixe de ter as pessoas ao
seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será a desse tempo que,
infelizmente... nunca mais voltará."

Mário Quintana

terça-feira, outubro 24, 2006

Questionamentos incansáveis


As respostas se perdem em meio ao emaranhado de questões que adentram ao meu pensamento insólito e vago em sua amplitude. Queria eu poder repousar em meio aos devaneios e neles buscar não a resposta e sim a compreensão que me propiciará a calma nesta incessante procura do que se sente mas não se sabe, do que se vê mas não é compreendido, das constantes perguntas que insistem em permanecer em nossos ideais.
Começamos na vida vendo e sentindo os acontecimentos passarem adiante perante nossos olhos hesitando, e assim convivemos com sombras que nos acompanham por longos ou infínduos períodos que mantém as incansáveis perguntas que de forma intrigante não se calam e que nos fazem ver na vida algum motivo de prosseguir no constante aprender que nos é oferecido pela dádiva da vida.
De maneira paradoxal ao sentimento que estes questionamentos me causam, surge em mim uma conformação que não me leva a desistir do desígnio de desvendar tais mistérios, mas sim a me confortar e em meio a tudo não me perder nos devaneios da loucura, de forma sucinta, percebo que tais questionamentos me fazem sentir mais vivo, me tornam à lembrança, a realidade que devido a tais questionamentos sou humano e que pelo fato de não ignorá-los, pertenço aos que buscam entender melhor o viver, que fazem a vida ter sentido, ou pelo menos buscam um dia ter isso. Estes que não passam pela vida ou que ainda contemplaram a vida, e sim viveram.


Roberto Dantas

terça-feira, setembro 26, 2006

Dedicatória

Tornai-me a aparecer, entes imaginários,que me enchíeis outrora os olhos visionários!Poder-vos-ei fixar?... Tenho inda coração capaz de se render à vossa sedução?...
Chegam... que densa turba! Envolve-me... Não posso furtar-me ao seu triunfo. Eis-me, Visões, sou vosso.
Vai-se-me em névoa o mundo. Emanações subtis que exalais, vem tornar-me aos anos juvenis.Que imagens que trazeis de dias tão risonhos!...Caras sombras! sois vós? aéreas como em sonhos?
Como recordação de lenda já perdida,volve o amor, a amizade, e reassumem vida;torna a dor a doer. Oh vida! oh labirinto!de novo o mesmo sois. Já renascer me sinto.
Cá 'stão os bons d'outrora, entes que já gozaram horas de oiro, e também... como elas se escoaram.Não me hão-de ouvir agora os mesmos, bem o sei,para quem noutro tempo os versos meus cantei.Sumiu-se, aniquilou-se aquela amiga turba,que nem com som mortiço os ecos já perturba.Vibra meu canto agora a ignota multidão,cujo aplauso, ai de mim! me aperta o coração;e os a quem meu cantar outrora foi jucundo,erram, se inda alguns há, dispersos pelo mundo.
Ai, plácida mansão, de espíritos morada!revive na saudade, há tanto descorada!
Começa em vagos sons meu estro a palpitar,qual de uma harpa eólia o triste delirar...Já sinto estremeções; o pranto segue ao pranto,e o duro coração se abranda por encanto.
O que foi, torna a ser. O que é, perde existência.O palpável é nada. O nada assume essência.

Goethe



Passamos nossas vidas impondo e buscando nossas convicções,
com o intento de um dia podermos alcançar nossas metas de vida,
em meio a tudo isso nos confrontamos com as vertentes do equilíbrio humano.
Onde não sabemos mais o que pensamos ou almejamos,
Onde o querer é não querer e o não querer torna-se paradoxalmente querer.
Assim procuramos alcançar a cada dia de nossos breves longos dias respostas tais que inconscientemente nos conformamos com a possibilidade de não desvendá-las, mas guardamos conosco no intuito de manter acesa esta chama que nos faz sentirmos vivos,
está busca infindável de tentar compreender um pouco mais das nossas razões desconhecidas.
Encontramos nas entrelinhas de nossas historias individuais, pessoas sejam elas ligadas por laços de sangue ou ligadas pelo entrelaçar do por vir, mas que de uma forma ou de outra acabam fazendo parte de nossas existências. Assim a cada página que passamos não deixamos para trás e sim levamos a cada página uma maior responsabilidade, pois daí em diante as nossas historias deixam de ser individuais para ser uma imensa extensão dos que amamos...assim cada beijo...cada sorriso...um ombro amigo e lágrimas derramadas constroem em cada uma grande obra que pelo sim ou pelo não, observados pela coerência ou incoerência, chamamos de vida.


Roberto Dantas

sexta-feira, setembro 15, 2006

Dúvidas em meio a devaneios
Mesmo tendo ou acreditando ter certezas de minhas incertezas, o acaso existe, e este não se cansa de nos contradizer. Este que em meio a um emaranhado de devaneios nos faz perceber que nem sempre somos... na maioria das vezes estamos.
Fico a me questionar por que adentrar a barreira do abstrato, tende a ser vilipendioso, como nos jogamos no obscuro?... aonde encontramos razões e argumentos convincentes para intentarmos e na maioria das vezes até transpassar o estável?
De forma sucinta me respondo: " De que vale a vida, sem a coragem para tais atitudes...? Até mesmo sem esta dúvida...? Sem este medo de poder errar...?Este medo que nos faz sentirmos vivos.
Roberto Dantas

segunda-feira, julho 10, 2006

Pensamento acerca da vida


Na vida o que realmente vem a ser significativo são os momentos...
em meio a tantos dias, anos, décadas e vidas...
nas nossas memórias o que mais recordamos são aqueles
que se escondem no mais recôndito de nossas almas,
os quais guardam consigo paixões,alegrias e tristezas.
Estes são como marcas no corpo, cada um tem sua história e seus motivos, embora muitas vezes incompreendidos, assim como infinitas coisas, as quais descobrimos que nem toda uma vida traria significado, e que mesmo assim não deixam de existir.
Esses momentos trazem consigo um ar saudosista. Que nos leva as vezes à loucuras, que buscam ter novamente, o prazer pelo tempo roubado. E assim prosseguimos nesta vida cheia de dores e delícias, buscando em cada pessoa, em cada lugar algo que venha a nos deleitar, nos fazer vivos a cada dia que restar desta vida.
Levo comigo grandes lembranças, emaranhadas em gozo e satisfação, sinto prazer a cada novo instante que me propícia felicidade, assim como também levo comigo minhas incertezas, dores e saudades das coisas incompletas, desta última tenho maior tristeza, pois quando penso que já se esvaiu é nestes momentos que renascem de forma mais intensa e profunda em meus mais sinceros sentimentos.
Desta vida uma coisa mais me assusta... O fato de em algum momento mais a frente me sentir como alguém que perde a viagem, ou como alguém que um dia quis, mas percebe que não teve pelo fato de somente olhar e querer e deixou as coisas passarem pelo medo de tentar.




Roberto Dantas




O doce não seria doce sem o amargo...

sábado, julho 08, 2006

Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nesta boca que te beija!


Augusto dos Anjos